"E eu continuo aqui, no canto do meu quarto, vendo os dias passar e nada mudar, ainda estou te esperando, mas acho que não vai mais voltar para casa. Queria te dizer coisa que nunca disse, por isso escreve essa carta, na verdade não sei muito bem por onde começar, não sei se começa pela parte que você arruinou minha vida, ou pela parte de que as cicatrizes no meu braço levam seu nome? Qual verdade acha melhor escutar primeiro? Meu pulso dói agora, e eu não quero prolongar isso, então leia com atenção minhas ultimas palavras. Lembra seu vidrinho de remédios? E lembra as pontas de cigarro que deixou aqui? E a navalha do seu barbeador? Bom, nenhum deles existe mais, os remédios eu tomei com as pontas me queimei, e a navalha esta passando no meu pulso agora, e sabe esta carta? Bom, é a carta de uma suicida.Talvez a solução seja essa, talvez seja a única solução. Já não aguento mais, não posso, não consigo. Você me destruiu por completo, e nem sequer foi capaz de se importar, porque no fundo, você nunca se importou mesmo. Nunca parou para se perguntar o que estava acontecendo comigo, conosco. Nunca se tocou que me destroía por dentro, e agora por fora. Sei que as lágrimas são minhas, que a dor será minha, porque no final isso não mudará nada na sua vida, não é? Tanto faz viver sem mim, não é? Pois bem, ainda sim sinto o direito de me despedir, ele ainda bate por você. Ele, se lembra? Aquele você prometeu cuidar, mas acabou caindo e se despedaçando. Isso, meu coração. Estamos nos despedindo de você com essa carta."
- Ana e Amanda (en-fraquecidos)
(via doreness)